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Anatomia e Boxe

A série, agora apresentada pela primeira vez em Lisboa, representa um momento determinante na obra de Jorge Molder. Incluindo vários subconjuntos no seu interior, as imagens fazem relacionar dois teatros de exposição do corpo, do seu massacre e das suas metamorfoses: o ringue de boxe e o teatro anatómico. Em ambos os casos o tema é a observação de um corpo que é submetido à violência da manipulação e da transformação e que performa esse processo. Constituindo um dos primeiros momentos de representação performativa na obra de Jorge Molder, a série mostra, simultaneamente com delicadeza e frontalidade, a fragilidade do humano e a tensão do corpo atraído pela gravidade, assumindo o tema da queda (um dos grandes temas da história da representação do corpo na arte) como a forma última da fragilidade da vida.

 

O ciclo de mostras da Coleção António Cachola em exposição no Chiado8 resulta de um protocolo entre a Fidelidade – Companhia de Seguros e o MACE, que compreende a apresentação, entre 2015 e 2017, de oito exposições da Coleção António Cachola, com curadoria de Delfim Sardo. As exposições, serão individuais, ou de confronto e diálogo entre obras e artistas (como a exposição agora inaugurada) procurando refletir novas visões sobre a coleção, constituindo também uma forma de observação da arte produzida por artistas portugueses contemporâneos.

 

Biografia
Jorge Molder nasceu em Lisboa em 1947, onde reside. Licenciado em Filosofia, o seu percurso fotográfico iniciou-se, em termos públicos, em 1977, com a primeira exposição individual intitulada Vilarinho das Furnas (uma encenação), paisagens com água, casas e um trailer que incidia sobre uma intervenção da artista Ana Hatherly.

 

A partir de 1987, a sua fotografia começa a utilizar a auto-representação, em imagens que, embora utilizem o corpo do seu autor, não devem ser confundidas com auto-retratos – porque se reportam a personagens misteriosas, repletas de referências, quer à literatura, ao universo das imagens, como ao quotidiano.São desse período as series Conrad, The Portuguese Dutchman e The Secret Agent que recolocam o problema da autorepresentação ligada a referências literárias e filosóficas (Joseph Conrad, Herman Melville, Georges Perec).


Figura maior da arte portuguesa recente, Jorge Molder foi convidado a representar Portugal na 48º Bienal de Veneza em 1999. O trabalho que aí apresentou (a série Nox) constitui um momento significativo do seu percurso, atingindo uma enorme sofisticação na utilização dos processos ficcionais gerados pelos personagem que encarna nas suas imagens. Em 2000, o seu trabalho expande-se à utilização do video com o filme Linha do Tempo, apresentado no Projecto Mnemosyne/Encontros de Fotografia de Coimbra 2000.


Jorge Molder tem apresentado o seu trabalho em inúmeras instituições internacionais. Recebeu o Prémio AICA/Portugal em 2007 e o Grande Prémio Fundação EDP/Arte em 2010. O trabalho de Jorge Molder encontra-se representado na maior parte das coleções Institucionais portuguesas (Caixa Geral de Depósitos, Coleção Berardo, Fundação Luso-Americana, Novo Banco, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Caixa Geral de Depósitos), bem como em significativas coleções Internacionais, como do Art Institute de Chicago, da Maison Européene de la Photographie, do Musée de la Photographie, em Charleroi, ou do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid.

 

Anatomia e Boxe

Jorge Molder

De 18 de julho a 30 de setembro 2016